Marchas e atos públicos tomaram as ruas de mais de 50 cidades em todo o país neste 7 de setembro, marcando a 32ª edição do Grito dos Excluídos. As principais pautas deste ano envolveram reivindicações por moradia digna, defesa da democracia, enfrentamento à violência e justiça ambiental, em sintonia com o lema 2026: ‘Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!’.

Reivindicações centrais unem diferentes regiões

O Grito dos Excluídos de 2026 mobilizou diversas categorias e movimentos, que marcharam cobrando direitos como moradia adequada, reforma agrária, acesso a educação pública de qualidade e valorização do Sistema Único de Saúde (SUS). Temas como enfrentamento ao feminicídio, combate ao racismo e à LGBTfobia e o fim da escala de trabalho 6×1 também foram defendidos durante os atos, conforme informações dos organizadores do evento citadas pela Agência Brasil.

São Paulo: solidariedade, memória e luta por moradia

Na capital paulista, ruas do centro foram palco da caminhada, encerrada com missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. Antes disso, houve café da manhã comunitário. Ativistas destacaram o ato como momento de debater liberdade e denunciar a persistente ausência de moradia.

“Olha, não temos liberdade ainda, temos que avançar muito para ser uma sociedade em liberdade”, afirmou Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares.

Relatos de participantes, incluindo Deuza Cordeiro de Lima, trouxeram à tona denúncias da violência policial e a luta por justiça.

Rio de Janeiro: democracia em cena e direito à cidade

No Rio, o Grito cruzou a Avenida Presidente Vargas. Ato trouxe esquetes teatrais sobre participação política e direitos sociais, organizadas pela Escola de Teatro Popular. Lideranças como Ricardo Pitta abordaram o desafio dos despejos e a função social da moradia prevista na Constituição.

“Todo ano os moradores estão sofrendo, ameaçados de despejo, inclusive em imóveis públicos que deveriam cumprir função social”, lembrou Ricardo Pitta, do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna.

O protesto incluiu críticas a tarifas internacionais e a defesa da vigilância contra riscos democráticos e autoritários, seguindo abordagens registradas pela fonte.

Brasília: justiça ecológica e compromissos políticos

O Núcleo de Ecologia Integral de Brasília levou pautas ambientais à manifestação, apresentando carta de compromisso sobre políticas agrícolas, justiça climática e proteção de nascentes do DF. O documento é resultado de seminário do grupo e será destinado aos eleitos nos poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal.

“O planeta está sendo destruído. Se não mudarmos a política ecológica e a forma como usamos recursos naturais, logo não teremos mais onde habitar”, disse Maria do Carmo de Jesus Botafogo, economista aposentada.

Segundo os organizadores, a inclusão de excluídos nas manifestações depende muitas vezes de ações solidárias para transporte e alimentação.

32 anos de mobilização: contexto e significado

Desde sua criação, o Grito dos Excluídos ampliou espaço para populações marginalizadas e promoveu o diálogo entre movimentos e poder público. A professora Altaci Kokama ressaltou a importância de dar voz aos que têm demandas por moradia, trabalho, alimentação e justiça.

“Os excluídos são aqueles que não têm casas, moradia, trabalho, alimento, os que estão buscando justiça. Mobilizá-los exige solidariedade e esforços coletivos constantes”, declarou.

O evento novamente integrou temas urbanos, rurais e ambientais e reforçou que o direito à cidade está associado à proteção do meio ambiente e defesa das minorias sociais.

Desafios e perspectivas para direitos fundamentais

A participação dos movimentos sociais no Grito dos Excluídos evidencia demandas históricas, como acesso universal à moradia, efetivação de direitos humanos e proteção ambiental. As cobranças por atuação do Estado e vigilância contra retrocessos marcam as manifestações de 2026, destacando a necessidade de políticas públicas integradas e ação democrática constante para superar exclusões estruturais no Brasil.

Saiba mais sobre lutas sociais e direitos no Brasil em nossos artigos recentes.

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