Segundo os resultados do Pisa 2025, o Brasil reduziu a diferença no desempenho escolar em relação à média dos países da OCDE, embora ainda permaneça abaixo nos indicadores de matemática, leitura e ciências.
Resultados do Pisa 2025: avanços e desafios
De acordo com dados da OCDE, estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em comparação, a média da OCDE ficou em 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Os dados mostram evolução em relação a ciclos anteriores.
- A distância em leitura caiu de 102 pontos (2006) para 58 pontos (2025).
- Em matemática, a diferença passou de 131 para 92 pontos no período.
- Em ciências, a diferença foi de 113 para 77 pontos.
Cada 20 pontos correspondem, aproximadamente, a um ano escolar. Assim, o atraso em matemática em relação à média da OCDE é de cerca de 4,6 anos.
Recuperação após a pandemia e perfil dos estudantes
Os dados do Pisa indicam que o Brasil apresentou recuperação de desempenho após a pandemia, especialmente em ciências, superando o resultado pré-pandemia nessa disciplina.
Em 2025, foram avaliados 30.140 estudantes brasileiros, predominando alunos da rede estadual (72,4%), com 96,9% das escolas situadas em áreas urbanas. A maior parte cursava a 1ª ou 2ª série do Ensino Médio na época da avaliação.
Engajamento estudantil e questões ambientais
O levantamento mostra que 72% dos estudantes brasileiros apresentaram interesse por diversos assuntos e 59% declararam esforçar-se mais diante de desafios. O porcentual dos que consideram a escola uma perda de tempo caiu para 16% (a média da OCDE é 24%). Estudantes que valorizam a escola obtiveram, em média, 35 pontos a mais em ciências — impacto superior ao da média internacional (27 pontos).
Em relação ao meio ambiente, 84% dos brasileiros disseram acreditar que podem criar impacto positivo, 87% destacaram a força da ação coletiva e 77% relataram saber trabalhar em grupo para promover mudanças. Todos os indicadores superam as médias da OCDE, conforme análise do Ministério da Educação.
Uso de tecnologia e dispositivos digitais
Na edição de 2025, 81% dos estudantes brasileiros estavam em escolas com restrições ao uso de celulares em sala de aula – em 2022, essa parcela era de 37%. A média da OCDE ficou em 49%. Segundo o Ministério da Educação, o índice reflete a implementação de regras nacionais sobre o tema, mencionadas como Lei nº 15.100/2025 pela pasta.
O Pisa também avaliou o domínio “Aprendizagem no Mundo Digital”, incluindo Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC). O Brasil obteve 406 pontos nessa área, abaixo da média da OCDE (500). Resultados sobre a autorregulação da aprendizagem digital serão divulgados em 2027.
Histórico de participação do Brasil
O Pisa é coordenado pela OCDE desde 2000, e o Brasil participou de todos os ciclos de avaliação. O teste é amostral e não representa todos os estudantes de 15 anos. Na edição de 2025, o foco principal foi ciências, com avaliações também sobre aprendizagem digital.
A organização da avaliação no país cabe ao Inep, autarquia vinculada ao Ministério da Educação.
Perspectivas e próximos passos
Apesar dos avanços, permanece o desafio de equiparar a educação nacional ao nível dos países da OCDE. O aumento do engajamento estudantil, valorização do ambiente escolar e regulações sobre tecnologia apontam para mudanças positivas, ainda que graduais. O acompanhamento dos efeitos dessas políticas e das competências digitais será central nas próximas edições do Pisa.
Sobre o Pisa e a OCDE
O Pisa é considerado o maior estudo comparativo internacional sobre educação. A OCDE reúne 38 países-membros e outros países participantes para análise de políticas públicas educacionais e desempenho escolar global. O Brasil participa do Pisa desde sua criação e, embora não seja membro pleno, está em processo de adesão à OCDE, sujeito a requisitos e aprovação dos membros atuais.
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