Em relatório encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump criticou o governo brasileiro por, segundo sua avaliação, não ter sido eficaz no combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O documento, datado de terça-feira (15), integra o relatório anual dos EUA que lista países considerados relevantes na rota ou produção de drogas ilícitas e apresenta avaliações sobre a atuação de seus governos.
O que diz o relatório de Trump sobre o Brasil?
De acordo com o documento, para Trump, o governo do Brasil não conseguiu enfrentar o PCC e o CV, designados pelas autoridades norte-americanas como organizações terroristas estrangeiras. O relatório ainda afirma que esses grupos transformaram o Brasil em “centro para os fluxos globais de cocaína”.
Segundo Trump, outros governos do Hemisfério Ocidental teriam tomado “medidas corajosas” contra cartéis e o trânsito de drogas, enquanto, em sua visão, o Brasil seria uma exceção. Ele recomenda adoção de “medidas agressivas” para impedir o crescimento internacional dessas facções.
PCC e CV: designação como organizações terroristas estrangeiras
Em 2026, o Departamento de Estado dos EUA classificou formalmente o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTO). Essa medida passou a valer em junho de 2026 e ampliou a possibilidade de sanções e de medidas contra indivíduos e entidades ligadas aos dois grupos pelas autoridades dos EUA.
A decisão baseou-se na legislação norte-americana e em ordem executiva presidencial. O governo brasileiro contestou a classificação, defendendo atuação soberana no combate ao crime organizado, porém admitindo cooperação internacional.
Brasil na lista de países do tráfico internacional
Apesar das críticas, o relatório não incluiu o Brasil entre os países que, segundo as regras dos EUA, “falharam de maneira demonstrável” em suas obrigações de combate ao tráfico. Essa classificação mais rígida foi atribuída a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela. O Brasil também não está na lista principal de países de trânsito ou produção de drogas ilícitas, que inclui outros países das Américas, Ásia e África.
Resposta do governo brasileiro
Por meio do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro manifestou discordância com a designação de PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. Ressalta que o combate é feito segundo políticas nacionais e demanda respeito à soberania, ainda que haja espaço para colaboração internacional.
Até a publicação original, não houve novo pronunciamento oficial sobre o relatório enviado ao Congresso dos EUA.
Elogios a aliados e tom crítico a outros países
No relatório, Trump elogiou governos aliados como Argentina, Equador e El Salvador por avanços em políticas antidrogas, além de mencionar positivamente mudanças governamentais recentes em Colômbia, Bolívia e Peru.
No entanto, utilizou tom mais crítico quando se referiu ao Brasil e à Nicarágua, ressaltando alegada falta de eficácia no combate ao crime organizado em comparação a outros países.
Exemplos de menções do relatório
- Colômbia: elogiada por intensificar o combate à produção de cocaína após mudança de governo.
- Peru: destacado o compromisso da presidência na colaboração internacional antidrogas.
- Bolívia e Venezuela: reconhecida a potencial ampliação de cooperação após troca de lideranças.
A presença de um país na lista relacionada ao tráfico, ressalta o próprio documento, não exclui o reconhecimento de esforços nacionais.
Críticas a países estratégicos e à China
O relatório também cobra “esforços adicionais” de México e Canadá para conter o fluxo de drogas sintéticas, especialmente o fentanil, bem como maior rigor da China na regulação da exportação de precursores químicos usados na produção ilícita de drogas.
Implicações e debate sobre soberania
A inclusão do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras reacende debates sobre os limites da cooperação internacional, respeito à soberania e a responsabilidade global no combate ao tráfico de drogas.
Especialistas apontam que a eficácia da designação estadunidense depende de acordos bilaterais e do grau de colaboração entre os países envolvidos.
Contexto e perspectivas futuras
O relatório reflete a estratégia dos EUA de pressionar países por políticas antidrogas compatíveis com prioridades americanas. O Brasil busca conciliar cooperação internacional com a autonomia na condução do combate ao crime organizado.
Conclusão
O relatório anual enviado por Trump traduz críticas sobre o combate ao crime organizado pelo Brasil e destaca desafios nas relações diplomáticas e na cooperação internacional em matéria antidrogas. As implicações práticas para as políticas internas e o relacionamento Brasil-EUA dependerão de novos posicionamentos e possíveis tratativas bilaterais.
Fonte editorial: Agência Brasil – Leia na íntegra
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