A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou, em 2026, a ampliação do acesso ao medicamento lenacapavir para prevenção do HIV em 14 países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil. Segundo a OPAS, cerca de 140 mil novas infecções por HIV são registradas anualmente na região, o que reforça a importância do acesso a opções eficazes de prevenção.
Lenacapavir: o que é e como pode ajudar na prevenção do HIV?
O lenacapavir é um antirretroviral classificado como profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada. Sua principal diferença em relação à PrEP tradicional reside na administração semestral, ou seja, duas aplicações por ano. Essa característica representa uma alternativa para pessoas com dificuldades no uso de medicamentos diários ou frequentes.
Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o lenacapavir como opção adicional para prevenção do HIV, após ensaios clínicos indicarem elevada eficácia na prevenção da infecção, conforme informações da OPAS.
Quais países terão acesso facilitado ao lenacapavir?
A nova estratégia da OPAS contempla a disponibilidade do lenacapavir em Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O acesso será viabilizado por meio de fundos rotatórios regionais da OPAS, iniciativa que busca ampliar o acesso a medicamentos inovadores para sistemas públicos de saúde.
Segundo a OPAS, a medida complementa acordos de licenciamento voluntário que abrangem 24 países da América Latina e Caribe, dentro de uma estrutura global de acesso envolvendo 120 países.
Transferência de tecnologia e produção local: perspectiva para o Brasil
Como parte da iniciativa, a Gilead Sciences, farmacêutica responsável pelo lenacapavir, se comprometeu a avançar no processo de transferência de tecnologia para o Brasil, com vistas à futura produção local. De acordo com a OPAS, o processo está em desenvolvimento e ainda não há prazos ou mecanismos específicos definidos. A ampliação da capacidade regional de produção poderá contribuir para maior disponibilidade do medicamento e condições de aquisição mais sustentáveis.
Incorporação do lenacapavir nos sistemas de saúde
A incorporação do lenacapavir aos programas nacionais de combate ao HIV será progressiva e vai depender de processos regulatórios dos países, protocolos clínicos, qualificação profissional e planejamento. A OPAS apoia tecnicamente os governos, colaborando na avaliação de necessidades, elaboração de diretrizes e monitoramento, visando uma introdução fundamentada em evidências e adaptada ao contexto de cada país.
Outras opções de prevenção disponíveis
Além do lenacapavir, a prevenção do HIV pode ser feita com PrEP oral diária ou sob demanda, cabotegravir de ação prolongada e preservativos, além do diagnóstico precoce e acesso oportuno ao tratamento antirretroviral.
A oferta de múltiplas opções preventivas permite atender a diferentes necessidades e preferências, colaborando para abordagens mais eficazes na prevenção do HIV, segundo a OPAS.
Metas e desafios regionais
A OPAS reforça que ampliar o acesso a ferramentas eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento é fundamental para reduzir as novas infecções por HIV e avançar em direção à meta global de eliminar o HIV como problema de saúde pública até 2030.
Segundo a entidade, a efetividade dessa ampliação dependerá do engajamento dos governos, sociedade civil, indústria farmacêutica e organismos internacionais na superação de obstáculos logísticos e regulatórios.
Perspectivas para o Brasil e América Latina
Para o Brasil, a transferência de tecnologia e eventual produção nacional do lenacapavir pode representar um avanço na sustentabilidade do acesso. No entanto, a incorporação ampla exigirá superar desafios regulatórios, capacitar profissionais e preparar os sistemas de saúde.
A OPAS mantém apoio técnico aos países, acompanhando as etapas de avaliação, planejamento e implementação das novas estratégias preventivas.
Síntese
- O lenacapavir é uma alternativa injetável de uso semestral para prevenção do HIV e será disponibilizado inicialmente em 14 países na América Latina e Caribe.
- A diversificação das opções preventivas pode favorecer estratégias mais adequadas aos diferentes perfis da população.
- O compromisso de transferência de tecnologia para o Brasil ainda está em fase de desenvolvimento e poderá contribuir para o acesso futuro.
- A meta de eliminar o HIV como ameaça à saúde pública até 2030 depende de esforços conjuntos e contínuos.
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