A declaração final da 18ª Cúpula dos Brics, realizada em Nova Délhi, reforçou a defesa de uma reforma ampla nas instituições de governança global, especialmente na Organização das Nações Unidas (ONU) e no Conselho de Segurança. O texto manifesta consensos centrais entre os países membros e direciona prioridades políticas do bloco para organismos multilaterais.

Brics busca representação ampliada nas instituições internacionais

O documento aprovado pelos países do Brics destaca a necessidade de modernizar a governança internacional, tornando organismos como a ONU mais democráticos e representativos do atual cenário global. O grupo enfatiza a importância de ampliar a participação dos países em desenvolvimento no Conselho de Segurança, uma pauta histórica da diplomacia brasileira.

Nessa linha, Brasil e Índia receberam apoio formal de China e Rússia para que possam desempenhar papel mais relevante na ONU, inclusive em um Conselho de Segurança reformulado. A defesa pela democratização dessas estruturas busca responder à disparidade histórica na composição de órgãos decisórios internacionais.

Fortalecimento do multilateralismo e desenvolvimento sustentável

A Declaração do Brics reafirma o compromisso coletivo com o multilateralismo em meio a desafios internacionais. O bloco defende ações conjuntas para impulsionar o desenvolvimento sustentável, dar respostas mais efetivas à pobreza e enfrentar o racismo e outras formas de discriminação.

Entre os compromissos, o grupo reiterou adesão à Agenda 2030 da ONU, reconhecendo a erradicação da pobreza como prioridade global e defendendo maior envolvimento do chamado Sul Global no enfrentamento de questões econômicas, tecnológicas e ambientais.

Novo Banco de Desenvolvimento: instrumento estratégico

O papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, foi destacado como ferramenta para financiar projetos de infraestrutura e sustentabilidade. Os líderes incentivaram a ampliação da atuação da instituição, incluindo maior mobilização de recursos, uso de moedas locais e análise de pedidos de adesão de novos membros interessados.

Foi registrado também o lançamento de um portal de conhecimento em parceria entre Brics e NDB, para fortalecer a troca de informações e boas práticas sobre projetos apoiados. A diversificação de fontes de financiamento aparece como prioridade para garantir que mais países se beneficiem das iniciativas do banco.

Inovação nos mecanismos de pagamento e integração econômica

A declaração aborda discussões sobre sistemas de pagamentos entre os países do bloco. Embora não cite soluções específicas, defende princípios de interoperabilidade, aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços, ampliação do uso de moedas locais e construção de mecanismos financeiros mais acessíveis e transparentes.

A cooperação na integração de canais de mensagens e liquidação comercial é tratada como estratégica para ampliar o comércio intrabloco. O documento manifesta preocupação com medidas protecionistas e tarifas incompatíveis com as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC), defendendo a reforma da instituição e o respeito ao comércio internacional baseado em regras compartilhadas.

Desigualdade, inclusão e representatividade: temas em evidência para o Brasil

No campo defendido pelo Brasil, o combate à desigualdade e à exclusão recebeu ênfase no texto. Os líderes dos Brics apontaram que as desigualdades “dentro e entre os países” estão na origem de muitos desafios globais, indicando que políticas inclusivas devem ser centrais nas próximas ações dos membros.

O bloco também lançou um apelo para ampliar a participação de mulheres em posições de liderança em organismos internacionais e unir esforços contra o racismo, a xenofobia e todas as formas de intolerância. O texto destaca a necessidade de combater o aumento dos discursos de ódio, desinformação e discriminação baseada em convicções religiosas e crenças.

Comércio, inovação e plataformas tecnológicas

No âmbito econômico, os Brics reafirmaram a cooperação para promover crescimento sustentável, inovação tecnológica e ampliação dos fluxos comerciais internos. Entre as iniciativas destacadas estão o fortalecimento das cadeias globais de valor, facilitação do comércio agrícola entre os países membros, digitalização de documentos comerciais, melhora na logística conjunta e criação de uma plataforma de comercialização de grãos, a Brics Grain Exchange.

Próximos passos e impacto para governos e cidadãos

A declaração final, de caráter político, sinaliza que os Brics apostam no fortalecimento do multilateralismo, na reforma de instituições internacionais e na construção de soluções para o desenvolvimento sustentável. As prioridades estabelecidas servem como orientação para a posição conjunta do grupo em fóruns como a ONU, o G20, a OMC e outras instâncias multilaterais.

O documento reflete um movimento dos países do Sul Global por maior protagonismo na agenda internacional, reafirmando valores como inclusão, equidade e crescimento compartilhado.


Fonte: Agência Brasil – acesso à notícia original

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